Mulheres em LUTA por 365 dias de conquistas!

Posted on Março 8, 2013

0



0803

O Massala  é administrado por mulheres e claro que não iríamos deixar o dia de hoje passar despercebido. Dispensamos as flores, a lingerie, a hipocrisia e o sentimentalismo barato para reiterar que 08 de março é um dia que celebra a  luta diária das mulheres ao redor do mundo por respeito e igualdade. Hoje Ana Fonseca faz uma reflexão sobre a importância dessa consciência para nossa sociedade. 


“No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU.”

Desde o contexto social e político que se originou a data, não há motivos a se comemorar o dia. Assim como tantas datas “comemorativas”, no que se refere ao dia da mulher, Consciência Negra, Dia do Índio e tantos outros, é dia de lutar. Mesmo com vários movimentos feministas engajados lutando pela questão do direito igualitário, mesmo com a Lei Maria da Penha (que é uma grande conquista, mas ainda precisa de uma penalização mais efetiva ao agressor), a violência contra mulher aumentou recentemente. E por quê?

Difícil ainda descaracterizar valores machistas arraigados há milênios na sociedade brasileira, reproduzidos inconscientemente alguns deles, na criação dos filhos homens. Além disso, uma sociedade que obriga indiretamente este homem a cumprir papeis sociais machistas, homofóbicos (“comedor”, “pegador”) para ser aceito em determinado grupo social. Não são todos os homens que tem posturas assumidamente feministas.

foto4

Este ponto, obviamente cabe uma reflexão que já foi palco de vários simpósios e seminários, legítimos e que sempre devem ocorrer independente de data. O que é importante é lembrar-se de tantas mulheres  historicamente guerreiras, que lutam e lutaram pelos nossos direitos e direitos igualitários de todo um povo, de várias lutas. Mesmo que não citemos todas, algumas são de fato, importantes lembrar neste dia: Rosa Bittencourt, Rosa Parks, Winnie Mandela, Anita Garibaldi, Olga Benário, Maria Bonita, Carolina, Laura Brandão, Helenira Rezende, e tantas e tantas outras, que acordam as 05hs da manhã e pegam ônibus lotado, sustentam uma casa, filhos, aguentaram e aguentam ofensas e humilhações dentro e fora do ambiente familiar, agressões físicas e morais, que além de trabalhar o dia inteiro, estudar, criar os filhos, para uma sociedade machista/capitalista ainda tem que ter o corpo e a beleza padrão de revista: mulher é maravilha, somente por ser mulher!

Para nos engajarmos mais ainda, hoje a partir das 13hs, na Catedral da Sé, acontecerá um Ato em Luta pelos nossos direitos! Quem puder, compareça!

foto3

A luta é diária, todos os dias, nosso dia não é apenas hoje. Somos nós que fazemos! Pela busca de nossa autoestima como verdadeiras guerreiras, pela busca de nossos direitos por uma sociedade igualitária, por nossos enfrentamentos cotidianos! A poesia de Elizandra Souza reflete bem o que o dia 08/03 pode causar como efeito de comoção pelo Dia da Mulher, porém a luta pelo dia não é comemorativa, é diária! Exigimos RESPEITO 365 dias de todos os anos!

 Meu único dia de mulher


Oito de março lembrou de mim
Mandou flores, tocou até tamborim,
como presente de consolação,
além dos bombons, ganhei cartão
elogiou tanto o meu caráter
e me fez se sentir rainha
fingiu esquecer que não cobiçava o meu corpo,
mas sim a minha carinha
afirmou que sou bela por ser muher
e disse o quanto sou guerreira de fé
e que sou capaz de vencer todas as barreiras
sou forte e verdadeira
na tv tantas homenagens
que cheguei a acreditar
até que enfim a igualdade está a reinar.

Nove de março, que decepção!
Pia cheia e toalha no chão
pedi para tirar o prato da mesa
e quase levei um bofetão
disse que o serviço de casa era minha obrigação
que mulher só prestava para cozinhar,
fazer sexo,
gerar filhos e amamentar.

Dez de março e a coisa piorou
disse que sou feia, gorda
e não sabe por que casou
e ainda me chamou de burra
e que se tivesse estudado
pelo menos era cultta
Os dias passam e fico esperando
Meu único dia de mulher.
Oito de março.
Elizandra Souza. Punga (co-autoria Akins Kinte), Edições Toró, 2007. 

 0803 (1)

Anúncios