Racismo no meio Hip-Hop: será que estamos incomodando?

Posted on Outubro 27, 2011

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Na terça-feira, 25/10, mais um acontecimento de cunho racial aconteceu com participantes e ativistas do movimento Hip-Hop. William Oliveira Santos, ou Preto Will, integrante do grupo Versão Popular, foi vítima de racismo, inclusive sendo agredido fisicamente (como se moralmente já não bastasse) dentro da estação de metrô Campo Limpo.

Ao ser ouvido pelos outros veículos de imprensa, a direção do metrô obviamente se colocou em posição divergente à de Preto Will, onde os seguranças relataram que foram xingados pelo rapper (segundo o portal de notícias Terra). Mesmo assim não se configuraria motivo (aliás, tem algum por parte de quem está trabalhando no momento?) para agressões físicas, a o braço luxado de Will é a prova de que houve no mínimo um ato exagerado por parte dos tais seguranças.

Segundo a direção do Metrô, em nota publicada à Folha de São Paulo:

“O Metrô informa que o referido usuário entrou na Estação Campo Limpo, questionou os agentes de segurança por qual motivo estava sendo observado.

Os agentes esclareceram ao usuário que faz parte do trabalho da segurança observar o movimento dos usuários e atender a suas necessidades. Em seguida, perguntaram a ele se necessitava de ajuda.

O usuário reagiu com palavrões e se dirigiu à plataforma. Em função desta reação sem motivo, os agentes solicitaram que a pessoa se identificasse. O pedido foi negado e, então, os agentes realizaram busca pessoal no usuário. Como houve resistência, ele foi imobilizado e retirado da estação.

O usuário retornou à estação com policiais militares e não aparentava lesão. Os policiais solicitaram dados dos empregados do Metrô, apuraram os fatos e se retiraram do local. Testemunha da ocorrência informou que não percebeu lesão no usuário.”

No dia 09/02 deste ano, James Bantu também foi vítima de atitudes racistas ao tentar resgatar um cheque no Banco do Brasil. Foi diversas vezes revistado, moralmente atacado pelos seguranças da agência, e por levar um notebook dentro de sua mochila foi alvo de desconfiança por parte destes, como se um cidadão que trabalha e consegue suas coisas honestamente não tivesse este direito, por ser negro.

O que deve ser questionado é porque atitudes como essa acontecem ainda neste século, e mais: o nível de agressão verbal e física por parte destas pessoas no mínimo ignorantes soam “pior” para Will e James, por não aceitarem passivamente, por argumentarem, por não respeitarem alguma “autoridade” que não respeita o direito de ser cidadão. E tanto Will como Bantu reconhecem, e lutam por este direito.

A agressão foi sofrida pelos dois de forma direta, mas agride todos nós indiretamente também. Cada negro, ou mesmo cada pobre, já sentiu na pele o que é o preconceito, sendo na forma de palavras rudes, agressão física, olhares desconfiados em lojas e supermercados, mudanças de lugar em ônibus e metrô, desculpas de vagas de emprego instantaneamente já “ocupadas”. Aliás, homossexuais, umbandistas, candomblecistas, mulheres, mulheres negras. O preconceito é um mal quase doentio. E não deve ser tolerado, de nenhum tipo.

E nós, como cidadãos, estamos sempre sujeitos a sofrer preconceitos de qualquer espécie. Mas temos que nos informar e ler sobre os nossos direitos, lutar sim. Ninguém tem o poder de violar os nossos direitos como cidadãos.

 

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