Confira as Dicas para o seu FDS com o Massala In-Dica e entrevista especial com Di’Lupa!!

Posted on Setembro 30, 2011

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O Massala In-Dica de hoje está especialíssimo! Tem praticamente tudo e ainda com um “bônus” a mais!

Exposição, Teatro, Música e uma entrevista com o grupo Di’Lupa estão entre as atrações do quadro de hoje. As “meninas In-Dica” Nubiha e Rita estão de volta, e temos a participação especial de Fabíola Ribeiro, que fará alguns inserts  no quadro, assim como Ana Fonseca.

Chega de papo! Bora aproveitar as In-Dicas de hoje?

Nubiha Modesto

Localizado no Parque do Ibirapuera, o Museu Afro Brasil é o maior acervo de arte e história africana do Estado de SP.
70% de sua coleção foi doada do pelo curador Emanoel Araújo, um dos homens mais cultos e entedidos sobre cultura Africana no Brasil, e quiçá no mundo.
Com três andares recheados de boa parte da história de um dos continentes mais lindos do mundo, o museu abrange assuntos como hábitos cotidianos, religião, festas, adornos e muito mais.
Vale a pena ir  na visita monitorada, que pode ser agendada para grupos de no mínimo 10 pesssoas, e visita livre de terça à domingo.

Quando: Terça à Domingo das 10h às 17h
Onde: Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº
Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega
Parque Ibirapuera – Portão 10
04094-050 – São Paulo – SP

Entrada Gratuita

http://www.museuafrobrasil.org.br/

Rita Cruz

Neste final de semana, começando por hoje, sexta-feira, tem apresentações gratuitas de teatro no Tusp.

A peça em cartaz chama-se O apocalipse ou O Capeta de Caruaru e conta a história de quando Caruaru, uma cidade do sertão pernambucano, começa a apresentar alguns fenômenos estranhos que, em pouco tempo, passam a enlouquecer o povo.

A situação piora quando o padre e o prefeito são surpreendidos com a chegada de irmãos gêmeos que passam a confundir a toda a cidade.

Apesar de parecer engraçado, a situação se torna dramática.

Quem quiser conferir o espetáculo gratuitamente é só comparecer ao TUSP.

R. Maria Antônia, 294 – Vila Buarque – Centro.

Telefone: 3123-5233.

Sexta e sábado: 21h

Domingo: 20h

Únicas apresentações.

Na próxima semana, terça-feira, dia 4, é a vez de Projota se apresentar na faixa.

O MC paulistano, que despontou em batalhas de improviso, apresenta seu trabalho, registrado em dois EPs e duas mixtapes, além de um DVD prestes a ser gravado na Choperia do Sesc Pompeia.

R. Clélia, 93 – Água Branca – Oeste. Telefone: 3871-7700.

A partir das 21h.

Fabíola Ribeiro

Di Lupa – O Perrei Faz Arte

De vez em quando vou aparecer aqui no Massala In-Dica, apresentando novos trabalhos – e os nem tão novos assim – que valem indicação pela qualidade, inovação, valor histórico e claro, talento desenvolvido. Não existe muito critério, é tudo a lá “gosto de Fabíola Ribeiro”, privilegiando todo tipo de arte.

Para começar, bati um papo com os meninos do Di’Lupa:  Pauê, FeRap e Luca, que acabam de lançar seu primeiro trabalho, o EP O Perrei Faz Arte, disponível apenas na Internet. Assíduos das batalhas de Freestyle e ainda na casa dos 20 anos, os MC’s do selo SomSujo – o trabalho foi produzido e lançado sem  vinculo com o selo – contam como foi produzir um EP de oito faixas em um mês, sem beats  e sem dinheiro, e ter um resultado de qualidade. Confira:

Como surgiu a idéia de montar um grupo? Ao que se refere o nome Di Lupa?

A gente já convivia toda semana fazendo Freestyle, rolê e tínhamos alguns trabalhos juntos. Foi quando em uma reunião a ideia veio à tona. No início, foi apenas um coletivo chamado “Freestyle eh quase isso!” devido aos encontros de Freestyle, porém a ideia morreu durante um tempo. Quando fomos escrever um rap na casa do Luca, ressurgiu a ideia mais objetiva e concreta.

O nome Di’Lupa foi dado pelo amigo Diego Hernandez Zequini, mas com outra proposta e sentido. No início não gostamos, depois de pensar e repensar começamos a gostar devido à ambigüidade e as diversas formas de interpretação. Di’Lupa não tem o sentido apropriado da“palavra”, vai da sua imaginação, mas inicialmente a proposta é você enxergar as coisas de uma lupa, ver com elas realmente como são.  Ampliar a sua forma de visão sobre um assunto ou tema que seja.

Como foi o processo de produção?

O processo de produção foi rápido e muito louco. Em três semanas já tínhamos todas as vozes passadas, mas o louco foi que íamos ao Vibox (músico e produtor) com a ideia de uma música e saia completamente diferente do que a gente havia pensado, ele entendia o que queríamos dizer além das palavras.  Entendeu realmente nossa proposta, rolou uma sintonia vamos, dizer assim, e com isso o andamento foirápido e positivo. Gravávamos duas vezes por semana, cada dia ia uma track, porém na ultima semana tivemos que dar uma acelerada devido a um problema de última hora. Então não perdemos tempo: aceleramos na última semana e dentro de um mês o trabalho estava pronto. Foi rápido, porém não de qualquer jeito e podemos dizer que com um resultado mais surpreendente do que o imaginado.

De quem são os beats e as participações no disco?

O disco conta com a participação do grupoVersus na faixa Nova nota de cem, e com o Vibox em alguns refrões.  O beat da “Intro” é do Vibox, alguns foram pegos em um site espanhol de compartilhamento de trabalhos relacionados ao Hip-Hop, e outros de alguns sons gringos como Hocus Pocus e outros aí.  Usar beats gringos foi meio que uma opção nossa até porque para poder manter a idéia do EP de que O Perrei Faz Arte.  Não tínhamos beats, mas isso não impediu em nada.

Esse primeiro trabalho tem um tema ou idéia central, as letras foram escritasespecialmente para ele?

A princípio não tinha, mas sim tem um tema central de que O Perrei Faz Arte.Ficamos “castelando” nisso, até percebermos que se encaixava perfeitamente com o que queríamos dizer com nossas músicas e com a situação que passávamos no momento. Usando beats gringos, sem dinheiro para masterizar e com poucos recursos, etc.

Quando vimos que as letras de certa forma abordavam isso por ângulos diferentes, foi quando decidimos deixar o primeiro trabalho como o nome de O Perrei Faz Arte.Porque de certa forma, para conseguir o que quer você passa por muitas adversidades, mas não pode deixar de lutar só porque elas vão existir. Elas sempre vão estar ali e isso é com qualquer um, independente de classe, status e cor, mas se você olhar de outra forma essas dificuldades te fortalecem. Parece clichê falar isso, mas é a pura realidade: se você ampliar sua visão e enxergar com lupa, verá que o “perrei” faz arte e que a chave é a lupa. Tudo vai de como você encara isso, de como você olha isso. Se você ampliar seu modo de visão sobre as adversidades vocês verão que elas são mágicas e não somente trágicas. Então dedicamos nosso primeiro trabalho a elas!

Qual o diferencial do Di Lupa?

A principio Di’Lupa não vende uma imagem que não é do grupo,  o que somos na rua,somos nas músicas, somos em casa, e somos assim na vida. Além disso, acreditamos que nosso diferencial seja a espontaneidade e não aquele padrão de que o Rap tem que ser som de sofrimento ou agressivo como muitos fazem por aí.Fecham a cara e saem metendo a do bandido mal, mostramos que também não é só farra como muitos pensam e tratam, acreditamos que nosso diferencial seja conseguir levar as mensagens que devem ser levadas da nossa forma, simplesmente isso, sem ter que meter a do “politicamente correto”. Digamos, o diferencial do Di’Lupa é estritamente a personalidade.

Os três são MC’s conhecidos das batalhas de Freestyle, no que a habilidade do improviso ajuda na hora de compor e gravar?

 Luca- A habilidade de improviso pra mim é uma benção, acho que o processo fica bem mais rápido quando o MC tem essa habilidade. Particularmente eu escrevo rápido,um som dentro de 40 minutos a 2 horas, e creio que por causa do Freestyle as idéias fluem na mente como um rio. Já na hora de gravar, as melhoras estão nos “retoques”, pois vem tudo de improviso, às vezes muda uma frase aqui em cima da hora, muda um final, uma colocação, uma palavra. Em tudo isso acho que o freestyle me ajuda, sem contar as dobras e os jogos de voz que vem tudo de improviso.

 Paue – Bom, quem faz Freestyle sempre observa técnicas de outros Mc’s. Você meio que absorve um pouco de cada um, assim você vai se reavaliando e adaptando sua melhor maneira de fazer rima.  Como se fosse um espelho, onde você enxerga seus erros e acertos, assim você cria uma noção da sua voz, o que facilita na hora de gravar. O Freestyle é mais que fazer rimas, é sim um estilo de vida. Podemos dizer uma escola, e foi rimando por aí que abri meus olhos pra enxergar ao redor e isso me faz pensar mais antes de escrever.  Freestyle, na verdade, é um forno que prepara Mc’s, tudo que vem da rua é inspirador.

FeRap– O Freestyle ajuda muito em tudo, tanto a raciocinar sobre várias coisas, como no treino e aperfeiçoamento da sua técnica de flow e etc. É meio que um descobrimento de si nas rimas, você vai improvisando, evoluindo, improvisando,aprendendo, improvisando, etc. Quando foi ver, já tá com 5 letras escritas e tá “improvisando” mais. É muito louco isso e acho que vai ainda mais além, mas é basicamente a fonte onde tudo começa.
Deste primeiro trabalho destaco as faixas Eu Não Me Adapto, Putz!, Nova Nota de CemÔ Fia, mas a avaliação fica a critério de vocês.
http://soundcloud.com/dilupa/sets/dilupa-o-perrei-faz-arte/