O país do Ximbalauê – por Jéssica Balbino*

Posted on Agosto 10, 2011

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Qual é a sua rima? É forte? É fraca? Refrão simples? Palavras complicadas? E qual é a sua ideia?

Essas são as questões que eu tenho vontade de dirigir a vários MCs que conheço e converso. Não sei fazer rap. E só de reconhecer isso e manter os ouvidos abertos e atentos, saio ganhando. Acho que, como diria o Criolo – sim, novamente ele, com o melhor CD da atualidade, na minha opinião – MC bom é mais que photoshop, refrão e já era.

O que vemos por aí é uma racha. O país do ximbalauê e das rimas prontas. A menina que tava na esquina. Rimas fáceis conquistam quem está fora do Rap. Refrões de lalalá também. Mas e quem está dentro? E o público crítico? E quem quer ouvir uma rima mais elaborada? Tem que garimpar, como tudo na vida. Encontrar a pepita em meio aos tchubirabirou do rap.

Vejo vídeos com milhões de acessos. Rimas pobres.

E eu pergunto mais: adianta fazer rima difícil? Resolve fazer uma música elaborada? Vai parar na boca do povo? E o que é melhor? Uma rima que todos cantam ou uma rima que tem uma mensagem?

E aí está o desafio. Fazer uma rima “entendível” e que seja fácil e melódica para cantar ou persistir na mensagem, na rima construída a parir de um conceito?

Façam suas apostas, afivelem os fones no ouvido e escolham,na roleta, qual será o próximo som. Saiam dançando, com as ideias.

Eu ainda acredito na rima boa. Conteúdo, elaboração e musicalidade.

*Jéssica Balbino é jornalista, escritora, blogueira e otimista. Acredita num mundo melhor a partir do hip-hop e da cultura ,e trabalha por isso

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