Ad Honorem* – A estréia de Nubiha Modesto no Massala!!

Posted on Julho 22, 2011

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* do latim Por Honra

Partindo do pressuposto de que arte é a manifestação da alma humana através de variados instrumentos – seja ele o corpo, o pincel ou a caneta – é possível imaginar quanto é dificil se decidir por comercializar isso. Colocar uma parte tão particular de si à venda e sujeita a julgamentos, nem sempre muito lisonjos, é ter coragem de titã em tempos de Twitter, Facebook e afins.

Digo isso porque venho de um passado artístico e sei como é dificil, pesado e dolorido – entre outros vários adjetivos – ver seu tipo de arte se desrespeitado ou intensamente mal criticado. Parece que um pedacinho da gente está sendo pisoteado, dói como um soco no estômago.

Então, quando eu vejo por aí várias pessoas que gostam do que fazem – seja fotografar, seja escrever/compor – planejando publicar seus trabalhos e registrar seus feitos de forma, digamos, “oficial” , torço para que levem em consideração um critério: preciosismo.

Se você realmente ama o que faz, e deseja que seu trabalho seja respeitado até por quem não é fã seu, do gênero, do tipo de arte ou todas as anteriores – faça direito. Lembra daquele emcee que canta: “Minha meta é 10; 9,5 nem rola”? Ele é ótimo, não é? Tenha certeza de duas coisas: não é por acaso e não é só dom natural, ele realmente leva essa frase à sério. As pessoas que são extremamente boas no que fazem, costumam trabalhar o dobro das pessoas que são boas, mas super parecidas com outros mil.

Tá ligado Barishnikov? Não? Bailarino russo conhecido por “flutuar no ar” e ter as melhores críticas já feitas na história do ballet mundial….ensaia até hoje 9 horas por dia antes de estreiar algum espetáculo novo. Ele sabe que é fantástico, as pessoas sabem disso e ele trabalha o dobro para se manter fantástico.

A questão não é só se dedicar, mas se permitir demorar o tempo que achar necessário para concluir seus trabalhos. Ser tão crítico a ponto de não escolher trabalhar com amigos, mas com bons profissionais mesmo que esses não sejam lá tão próximos. É refazer a mesma coisa incansevelmente até alcançar o que sua imaginação projetou. É não ter pressa de produzir. É ter certeza de que vai ser possível encher o peito e dizer “Ficou foda!”.

Não é vaidade, não é chatice, não é frescura. É ter um amor tão grande pelo que faz, a ponto de não permitir que alguém desrespeite. Pense nisso.

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