Confira o que rolou nos shows de Dragões de Komodo, MC Correria e Nocivo Shomon – Dia 09/07 na Hole Club!

Posted on Julho 16, 2011

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Texto: Ana Fonseca

Entrevista: Fabíola Ribeiro

No feriado do dia 09/07, mesmo com a falta de luz no lado Jardins da Rua Augusta, o rap não parou na Hole Club, tradicional casa paulistana que abriga o Rap e suas vertentes em sua programação de sábado.

Dessa vez, um trio que nunca havia se apresentado juntos, e ainda com uma surpresa: o grupo Dragões de Komodo e os MC’s Correria e Nocivo Shomon comandaram os shows da festa que teve como apoiadores a Quilombo Hip-Hop, e os sites Radar Urbano e Central Hip-Hop, além da cobertura Massala Diversidade Cultural.

Para iniciar a noite, o comando das pick-ups ficou por conta dos DJ’s MF e Pow. No set especial de Rap Nacional, MF tocou artistas queridos do público, como Dexter, Sabotage e Rincon Sapiência; grupos que há bastante tempo não tocavam nas festas, como Trilha Sonora do Gueto e RZO, e ótimas revelações do cenário como Carol Conka e Cone Crew. Mas o destaque foi para o Especial Racionais MC’s, com várias músicas embaladas em coro pelo público presente.

 

Quem abriu os “trabalhos” de show da festa foi o grupo Dragões de Komodo. Várias foram as boas impressões sobre a apresentação: claramente o grupo teve uma ótima receptividade do público, que chegou perto do palco e cantou junto as músicas “Quem conhece tá ligado”, “Cabeça na Vertical”, “Tensão”, “Zica do Pântano” e “Piratas dos novos Mares”. Outra observação foi a preocupação do grupo com a qualidade de seu show – bem ensaiado e com uma sintonia e energia ótimas. O Dragões de Komodo é formado por 6 integrantes e o DJ F Zero, e cada um tem outro grupo em paralelo (Andrômeda Boca do Lixo, Banda Da Mata, Material Corrosivo e Oficina da Rima). O fator profissionalismo e empenho merecem destaque, além de se tornar um exemplo para quem quer fazer da música o seu trabalho.

Logo após o Dragões de Komodo, quem subiu ao palco foi o MC Correria. O “soteropaulistano” mostrou uma ótima energia, e ainda trouxe uma surpresa, que foi a palhinha do grupo Avante o Coletivo, diretamente do Ipiranga. Correria ainda cantou os sucessos como “Casa de Detenção”, “Meu Corre”, “Resgatado pelo Rap” e “Show de Rap” para fechar sua apresentação.

Emendado ao show de Correria, Nocivo Shomon subiu ao palco, aguardado pelos fãs ansiosos para ouvir suas talentosas e polêmicas músicas. Com a participação de Rodrigo Nonato (Dragões de Komodo), Nocivo fez a apresentação que todos esperavam: não faltaram “Retaliação”, “A rua é quem?” e “Guerreiro Sagaz”.

Com certeza, a Quilombo Hip-Hop e a Hole Club preparam muito mais supresas para o nosso rolê de sábado. Quer saber o que vai rolar? Fique ligado nas notícias da Quilombo e do Massala!

Nossa repórter Fabíola Ribeiro fez uma entrevista exclusiva com MC Yob, integrante dos grupos Dragões de Komodo e Oficina da Rima. Confira agora:

Massala Diversidade Cultural – Dragões de Komodo veio de uma necessidade da gente resgatar aquele rap dos anos 90, tipo DMX,  entre outros?

MC Yob – A idéia foi a seguinte: eu trabalhava com o Rodrigo Nonato e o Phanton do Andrômeda. E o Rodrigo,estava assistindo uma matéria no jornal e ouviu falar de um tal Dragão de Komodo. Ele simpatizou com a história do dragão, do lagarto, e falou, “Puta, mano! Descobri um bagulho da hora e tal”. E no trampo, ele chegou assim, “Pô, Yob, tem um lagarto que  é assim, ele é embaçado. A história do lagarto é tal e tal e tal”. E nisso, a gente estava trocando de turma, tipo com o Phanton. Eu trabalhava na época, aí o Phanton disse, “Pô, mano, to com um refrão aqui”, o Rodrigo já bolou o refrão dele na hora, idéia vem, idéia vai. Aí o Rodrigo, “Pô, mano, a história do lagarto de Komodo”. Aí o Phanton, “Pô, mano, vamo juntar nós, que a gente já tem uma amizade faz um tempo e vamo fazer um coletivo, porque a gente tem talento. E temos que mostrar esse talento pras pessoas que tão vindo aí agora, tá ligado. E vamo resgatar o rap que a gente gosta, que tá meio sumido na cena”. A partir desse momento, juntamos o Indião. Em seguida veio o Binho. O Dartagnan não tinha uma intimidade com o rap. Aí juntamos com o Di essa idéia do Material Corrosivo e pensamos sobre um nome para esse coletivo. Aí é que veio a ideia do Dragão de Komodo, e toda a história. Todo mundo procurou se informar sobre o dragão, sobre o lagarto que vive lá na Indonésia, na ilha de Komodo, não foi feito assim aleatoriamente. Todo mundo estudou a proposta. Tem tudo a ver a idéia desse lagarto com a idéia de rap que a gente quer cantar. E ficou Dragão de Komodo, e consequentemente Dragões de Komodo.Em seguida da composição, nos encontramos no estúdio. Foi feito o CD inteiro dentro de, no máximo, seis horas.

 Fomos desenvolvendo os tema, demos um período de quinze dias pras pessoa compor o que fazia parte, o que não fazia. A proposta dos Dragões de Komodo é transmitir a paz, transmitir o que a gente pensa, o que a gente vive, o que a gente gosta, ou não, sabe? É uma forma de protestar também. Mas a gente é totalmente da paz. A gente não quer briga com ninguém, só quer fazer o nosso, cativar as pessoas e transmitir o amor para todos os outros.

MDC – Como é organizar para seis pessoas fazerem tudo ensaiadinho?

 MCY – Minha querida, eu vou te falar, não é fácil trabalhar com pessoas. Ainda mais quando faz parte de uma família, porque é onde você tem o direito de cobrar e de ser cobrado. E pra gente se organizar, é uma cobrança pesada.Às vezes uma pessoa reclama, aí a gente vai analisar por que uma está reclamando. O outro não gosta da proposta. E graças a Deus temos uma parada profissional, nos respeitamos como amigos e isso ajuda muito, porque quando a gente cobra alguma coisa de um próximo, não leva para o lado pessoal, leva para o lado profissional. E isso ajuda pra caramba a se organizar.

MDC – Quais as novidades do Dragão? Lançaram disco ou não?

MCY – Na verdade, fizemos um pré-lançamento na Rinha dos MC’s. Tem muita coisa boa por vir ainda, porque é o seguinte: a gente ta conquistando os espaços. E como você sabe não é fácil conquistar espaço, porque tem muita coisa boa aí ocupando os mesmos espaços. Se não é nosso ainda, é porque não chegou nossa hora. Mas a gente ta correndo pra conquistar esse espaço da melhor maneira possível, sem agredir ninguém, só mostrando o que a gente sabe fazer todo dia.

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