U Efe: Esse Pê – por Helton Gomes*

Posted on Julho 13, 2011

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Da São Bento à Santa Cruz, passando pela 7 de abril, São Paulo – desculpe o bairrismo – não consegue se livrar do estigma de ser o epicentro do que melhor surge na cena do rap (foi mal CWB, Rio Maravilha, foi mal!).

Os filhos da cidade que constrói e destrói coisas belas sempre tornam à casa e, vira e mexe, homenageiam a metrópole, capital brasileira do asfalto e do concreto. O mais recente a dedicar algumas rimas a SP foi o Criolo, que, melancolicamente, disse o que todo mundo tava cansado de pensar, né, não. Afinal, pra quem tem de presenciar prefeito dando nota 10 a uma administração municipal que não deve ter outro princípio senão ferrar a vida do cidadão, e – merecidamente, segundo este raciocínio – coroa o belo trabalho com um aumento de salário de mais de 100%, não existe amor em SP. Seria essa “a mesma grana que compra o sexo e mata o amor” da qual fala Emicida, em Rua Augusta?

Já o Pregador Luo, em Cidade de SP, vai de leste a oeste, de norte a sul e, como se convidasse um carioca desavisado, o leva para um rolê pela cidade. Sem não antes pedir permissão à dama, né: “Ok, minha senhora estoy aqui, dança comigo”. E ciceroneando o visitante, ele diz como a cidade te aceita e depois te demite, como “todos são manos e sabem que se parecem por dentro”, mas fala de “prédio altos que mudaram destinos/ construídos por nordestinos/ que não foram aceitos como inquilinos”. Mas se declara, meio a contragosto, à cidade: “Não deveria, mas te amo mesmo assim / Mesmo você tendo feito mal pra mim”. Em Paulistano, o Mamuti também fala da cidade.

O problema é que não existe mic para tanto mc que SP produz a cada esquina. Nem mic, nem oportunidade para todos mostrarem sua arte. A boa notícia é que o Massala vai dar a chance a rappers paulistanos de gravarem suas músicas em uma coletânea. A má notícia é que as inscrições para participar do “Mapeamentos – Hip Hop por São Paulo” já foram encerradas. Resta saber o que os mais de 40 inscritos vão dizer sobre a metrópole.

*Helton Gomes é jornalista

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