“Eu Africanizo SP” – Evento de abertura do Festival WAPI Brasil reúne artistas e convidados em prol da questão étnico-cultural.

Posted on Julho 7, 2011

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Todos os créditos fotográficos são de : Guma Fotógrafo

Na tarde de sábado do dia 02 de julho, um evento diferente aconteceu na Ação Educativa, no bairro da Santa Cecília, em São Paulo. Foi a abertura do Festival WAPI Brasil e Campanha “Eu Africanizo São Paulo”, organizada pela Soweto Organização Negra. A atividade Pré-Wapi foi marcada pela venda de artigos africanos, como acessórios e roupas, vendas das camisetas da campanha, discotecagem de Eduardo Brechó, além dos shows de Amanda Negra Sim, Raphão Alaafin e da banda Bukassa.

O Festival WAPI BRASIL objetiva fomentar o intercâmbio cultural com organizações de Hip-Hop do Brasil e do Continente Africano.

WAPI é a abreviação de “words and pictures“, isto é, palavras e imagens. O WAPI é um festival que foca na a divulgação de artistas ligados à linguagem visual e verbal.

O festival ocorre em terras africanas, tendo surgido no Quênia há seis anos e se espalhado por outros países como Tanzânia, Gana, Nigéria, Senegal, Sudão, Malawi, Nova York-Brooklyn e agora em solo brasileiro, tendo sua 1ª edição na Cidade de São Paulo.

O WAPI BRASIL 2011, cujo tema é “Eu africanizo São Paulo” é a primeira edição do Festival realizado em um país de Língua Portuguesa. Em sua essência, o conceito do Wapi Brasil é construir intercambio cultural com os coletivos de juventude e as organizações ligadas a Cultura Hip-Hop de países africanos.

 O tema do Festival  dialoga com todas as atividades propostas para o evento, desde a exposição de artigos ligados a estética afro-brasileira e africana à apresentações artísticas.

Nessa 1º edição, o Festival WAPI BRASIL estrutura-se na proposição de Seminários, Debate-papos, apresentações artísticas de vários gêneros musicais, oficinas, saraus, exposições e mostra de videos.
A entrada é franca e todas as atividades são gratuitas.

Confira a entrevista com um dos organizadores do Festival, Gildean Silva, o Panikinho:

Entrevista concedida a: Ana Fonseca / Realizada por: Ana Fonseca

Massala Diversidade Cultural – Que tipo de ações o WAPI Brasil pretende construir em intercâmbio com a organização do Festival Africano?

Panikinho – O objetivo principal é, a priori, estabelecer esta aproximação. Existe a população negra, brasileira, que tem uma certa coisa nostálgica com a África, onde há essa possibilidade da construção da identidade, através da cultura e das artes que tem essa essência negra, mas não tem aproximação. Falamos de uma África que a gente ainda não dialoga. A ideia é mesmo fortalecer esse diálogo e estreitar laços, para depois promover os intercâmbios de fato, de deslocamento, levar artistas daqui pra lá e de lá pra cá.

MDC – Qual foi o critério de escolha dos convidados para a Campanha e show de lançamento?

PNK – A campanha em si nasceu por acaso. A gente tinha um critério primário para fazer a publicidade do Festival, que era pegar “cartazes simbólicos” para a população negra, que seriam crianças, famílias, idosos, jovens, que representassem todos os segmentos da sociedade. Mas como não contratamos modelos profissionais, e sim pessoas do nosso meio, isso gera uma identificação, e por que não acrescentar pessoas que se envolvem nessa questão culturalmente? Então, para ideia de fazer com que as pessoas se identificassem com estes “símbolos” acabamos colocando pessoas que dessem visibilidade à Campanha e a Campanha ao trabalho delas.

MDC – Na sua opinião, o que difere em termos sócio-culturais a WAPI Brasil dos festivais em outros países?

PNK – Eu acho que é o caráter da cultura local. Enquanto proposta ideológica e política é a mesma, nos eventos discutir questões importantes para aquele momento, aquela realidade, aquele local. O WAPI Quênia fala de assuntos que são pertinentes às questões deles e alguns em comum, como por exemplo o racismo. O racismo é um assunto universal. Quando lá é discutido o racismo, não é falado só regionalmente, e a mesma coisa aqui: quando falamos sobre racismo no Brasil pensamos em qualquer parte do mundo. E também as possibilidades de diversidade cultural que o Brasil têm.

MDC – Você acha que a WAPI Brasil pode servir como um exemplo, e até como referência para outras questões de sentido parecido em fusão com o Hip-Hop, como a cultura indígena e/ou nordestina?

PNK – Não sei se desta forma. Existem inúmeras iniciativas semelhantes, como por exemplo, o SWU, mas o diferencial é que o nosso Festival será realizado em uma comunidade de periferia, em um Centro Educacional Unificado, gratuito. O SWU tem uma proposta de discutir meio ambiente, mas as pessoas pagam para entrar e é caro. E ai fica a questão: “Quem tem acesso a isso, a esse diálogo?” Nós procuramos levar esse diálogo que a gente considera importante para a molecada da comunidade, da periferia, que não vai precisar pagar ou sair de casa, pegar ônibus para ir a esse evento.

Raphão Alaafin fez um show no WAPI Brasil que os fãs há muito tempo estavam esperando. Considerado uma das revelações do Rap Nacional, Alaafin fez um pocket show inspirado. Dentre as músicas, certamente estavam “Futebol na Quebrada é Racha” e “Rap Sim, Rap Não“, e ainda teve pedidos de “Cagueta“, faixa do seu primeiro trabalho “Amostra“. Engajado com a causa étnico- cultural desde sempre, Raphão concedeu uma mini-entrevista ao Massala, falando de sua participação no WAPI Brasil.

Entrevista realizada por: Ana Fonseca / Concedida a : Ana Fonseca

Massala Diversidade Cultural – Qual a sensação pessoal e como artista de participar desta Campanha e Show de lançamento?

Raphão Alaafin – A sensação é maravilhosa! Quando o Panikinho me convidou fiquei bem empolgado com a ideia do Festival e da Campanha, acho importantíssimo um evento levantar desta forma tão bonita e discutir sobre isso. Essa ideia deve ser levada para sempre e em todos os lugares. Acho lindo o negro ter orgulho de si mesmo, já que o asiático e o europeu desde sempre já tem isso dentro dele. E o negro que participa deste tipo de evento é mais admirável ainda.

MDC – Acha que o Hip-Hop Nacional precisa de mais iniciativas como essa?

RA – Já existe atualmente bastante iniciativas, mas o principal é ter continuidade. Na década de 20, existia um jornal maravilhoso que falava sobre a questão negra, e acabou. Hoje possuímos o “Cadernos Negros”, fundado pelo Cuti, e temos que lutar para que ele não acabe, assim como o WAPI, que não é responsabilidade só do Panikinho ou da Janaína e sim de todos os negros para que ele continue.

Veja mais fotos do evento, clicados pelas lentes de Guma Fotógrafo:

 O apresentador Tommy Germain

Senhoras participantes da Campanha

Luciane Barros e seu filhote

Show de Amanda Negrasim

Show Raphão Alaafin

Show Banda Bukassa

Veja algumas fotos da CAMPANHA PUBLICITÁRIA “EU AFRICANIZO SÃO PAULO” – WAPI BRASIL

Próximos Eventos – WAPI Brasil:

Pilulas de Cultura Feira Preta Edição de Hip-Hop no dia 17/Julho
com Poket Shows: Banda Aláfia com participação especial de Panikinho (Hip-Hop de Câmara) e Machado Saruê (Saruê Zambi) , D’na Hill e o Mc mais elegante da atualidade, Rincon Sapiência – Exposição: Fotos Campanha Wapi Brasil 2011 “Eu africanizo São Paulo” – Local: Casa das Caldeiras – 17/07 | Horário: 16hs ás 21hs

Contato:

Gildean Silva “Panikinho” e Janaina Machado
Coordenadores do WAPI BRASIL
7459-6102 vivo / 8526-1072 tim / 2203-4770 / 6315-6732 claro

WAPI BRASIL 2011
Soweto Organização Negra
Endereço: Rua Silveira Martins, 131-conj.22 – Se
E-mail: wapibrasil@hotmail.com
E-mail: sowetoorganizacaonegra@hotmail.com
Realização: Soweto Organização Negra

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