Massala Entrevista: Felipe Rima

Posted on Julho 1, 2011

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Texto: Jéssica Balbino / Entrevista: Ana Fonseca / Concedida a: Jessica Balbino

Entre o Batuque do Coração e a Poesia da Vitória. É assim, com esse nome e carregado de sentimento, que o cearense Felipe Rima se apresenta ao Brasil, trazendo seu primeiro trabalho: um disco que consiste em poesias musicadas com a assinatura de Felipe Rima & Banda.

Aos 23 anos, ele só conheceu a poesia em 2002, quando a antropóloga Glória Diógenes lhe mostrou um poema. A princípio, as letras em forma de estrofes e rimas foram negadas por ele. “Não estava acostumado com a sutileza e a sensibilidade das palavras e os poemas traziam isso. Foi assustador, repudiei na hora”, lembra.

Mas, a magia do hip-hop despertou nele a vontade de escrever as próprias poesias e mais tarde, sentiu a necessidade de musicá-las, montando, em 2004, o grupo Arsenal da Rima,ao lado de Mariano Penha.

Hoje, apesar do grupo, ele foca no trabalho solo, que chega às ruas no segundo semestre deste ano, em formato de EP, com 18 faixas.

E parte desse trabalho, que está em fase final de confecção, é anunciado pelo teaser que Felipe Rima libera  ao público.

Uma prévia do trabalho do artista, que também é educador social no projeto E- Jovem, através da ong internacional Ashoka pode ser conferido no último Dia dos Namorados, com a liberação da poesia musicada “Doce Deleite“, que ele fez especialmente para data e deixou para download, além de ter colocado em vídeo para o youtube.

– CONFIRA A ENTREVISTA COM FELIPE RIMA –

Massala Diversidade Cultural –  Como é o cenário do Rap nordestino? Como você percebe, de modo geral, o segmento fora doeixo Rio-São Paulo?

 Felipe Rima – No cenário nordestino eu tenho visto muitos destaques, muita coisa boa, mas ainda é o mínimo. Não tenho muita propriedade pra falar do nordeste em geral, mas conheço alguns nomes que estão fazendo barulho Brasil afora. Temos, por exemplo: Costa a Costa, Zé Brown, Opanijé, RDF, Rapadura e outros, que assim como esses que citei trazem um trabalho sério,com profissionalismo e potencialidades pra chegar à linha de frente.

 As coisas ainda costumam virar no eixo Rio-São Paulo, mas acredito que nós podemos integrar essa cena. Integrar no sentido de fazer acontecer lá e cá.Vejo que é preciso admitir também que em muitos ainda falta o profissionalismo necessário pra conseguir compreender onde tem cena e onde não tem, e após detectarem isso começarem a construir onde não tem e enriquecer onde tem.

MDC – Qual a diferença principal entre o seu primeiro trabalho solo e o que desenvolve com o grupo Arsenal da Rima?

FR – Com o Arsenal da Rima somos uma equipe que sente e expressa o que sente  junto,expomos o que acreditamos juntos e o que desacreditamos também, a parte musical do grupo também diferencia, pois mesmo trazendo uma essência muito poética, nós mantemos nas produções os beats, algo mais rap, o ideal é praticamente o mesmo: Conquistar a vitória na vida, mas diferenciar na construção do caminho.

 Por isso, me propus a lançar esse trabalho solo, porque senti a necessidade de expor meus sentimentos mais intensos, algo muito íntimo, que partia de mim. As músicas trazem a feição do que eu, Felipe Rima, venho vivendo ultimamente, das conquistas, das emoções que meu coração mergulha. Falo de meus amores, minhas dúvidas, sorrisos e dores.  O projeto “Entre o Batuque do Coração e a Poesia da Vitória“, nasceu pra trazer à tona aquilo que tenho de mais puro entre meus sentimentos.

 Com o Arsenal da Rima conseguimos construir uma estrutura sólida que nos fundamenta para o que venho propondo hoje. O grupo ARSENAL DA RIMA está com novidades na agulha, mas priorizamos em2011 meu projeto solo, tudo partiu da união de algumas poesias.  Eu não escrevi letras de Rap, quero dizer, não fiz com intenção de ser Rap, aliás nem fiz com intenção de virar música, eubusquei alguns poemas que escrevi e senti que deveria musicá-los.

MDC – Você teve uma história de vida marcante, com dificuldades e muita luta. De que forma esses momentos aparecem em seu trabalho?

 FR – Minha História é refletida em tudo que escrevo, no que canto, recito e produzo. O grande desafio foi conseguir dar um novo significado a essa história e fazer acontecer, fazer história. É como diz o trecho de uma das músicas que vai sair no meu disco, a música chama-se FAZENDO HISTÓRIA e o trecho diz: “…Em 97 eu era um menino passando fome/Mas hoje me emociono quando o público chama meu nome/ E não é só mais um nome,tenho muita história pra contar/ e um trecho da vitória é que eu vim do lixo pra cá/ Hoje à luz de velas eu posso amar à penumbra/ Os palcos, os corações é o que minha alma vislumbra…”

 MDC – Na sua opinião, quais são as semelhanças e diferenças entre um poeta e um MC?

 FR – Um poeta é um MC e um MC é um poeta eu não teria a ousadia de apresentar diferenças. Semelhanças são várias, mas a principal é que ambos deixam falar a voz do coração, causam polêmicas, arrastam multidões, conquistam corações e fazem acontecer apresentando seus sentimentos em forma de verso.

 MDC – A cultura nordestina é muito rica e inspira vários artistas da música nacional. Procura promover essa fusão em seu trabalho? Acha que isso é um diferencial que deveria ser mais explorado pelo Rap brasileiro?

 FR – A parte musical do meu trabalho é muito diversificada, eu busquei passear por diversas áreas da música em geral, a música popular brasileira está presente em minhas produções e entre elas estão os ritmos nordestinos. Fizemos músicas com influência do Baião e da Embolada, representando ali nossa origem.Eu sou a favor do conhecimento e acredito que quanto maior for sua bagagem musical melhor você vai produzir, por isso, acho sim importante que o Rap Brasileiro atente para os estilos musicais que temos.

MDC – O seu CD solo será lançado no segundo semestre. Tem planos de parcerias para a distribuição deste material aqui em São Paulo e outros Estados?

FR – Nós temos um plano estratégico para difusão do CD. Fechamos parcerias com alguns representantes no Brasil que irão contribuir com esse processo, mas em relação  à distribuição, estamos negociando com algumas instituições que se interessaram pelo trabalho, ainda não podemos divulgar nomes, mas podemos adiantar que no segundo semestre de 2011 o Brasil todo terá acesso e sentirá qual a real e inestimável sensação de estar de fato Entre o Batuque do Coração e a Poesia da Vitória.

Assista ao Teaser de Felipe Rima que têm como convidados Renan, do Grupo Inquérito, Jéssica Balbino e Mundano:

http://www.youtube.com/watch?v=3USJQYt9lPE

Confira a poesia musicada “Doce Deleite”:

http://www.youtube.com/watch?v=xCL4wpM496Y&feature=player_embedded

Aqui está o link para você fazer o download do poema:

http://www.4shared.com/audio/PGzwuE5B/11_POESIA_DOCE_DELEITE_-_FELIP.htmlhttp://www.4shared.com/audio/PGzwuE5B/11_POESIA_DOCE_DELEITE_-_FELIP.html3

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