Dugueto Shabazz concede entrevista exclusiva ao Massala e lança a música “Black” em parceria com Gaspar (Z’África Brasil)

Posted on Junho 2, 2011

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Texto: Ana Fonseca

Entrevista: Eduardo França

MC, ator, escritor, poeta. É raro vermos alguém que consegue desempenhar tantos talentos de forma excelente, e ainda propondo uma fusão harmoniosa e interessante. Dugueto Shabazz possui essa multifaceta de forma natural. Talento, por sinal, reconhecidíssimo – foi o narrador do elogiado documentário “Nos Tempos da São Bento”, de Guilherme Botelho e é ator da peça “Bartolomeu, o que foi que nele deu?” do reconhecido grupo de teatro Núcleo Bartolomeu de Depoimentos.

Dugueto tem muito a falar. Uma entrevista cheia de conteúdo, de quem não começou outro dia, e ainda tem “muito chão” pela frente. Logo após a entrevista, confira sua nova música de trabalho: “Black”, em parceria com Gaspar, MC do Z’África Brasil em seu projeto solo, Ilícito:

Massala Diversidade Cultural –  Você atua no campo musical literário e a agora também no campo da dramaturgia. De que maneira você conecta todas essas expressões de arte?

Dugueto Shabazz – O Hip-Hop é a base de todo meu trabalho. É a sensibilidade trazida pela experiência dessa cultura que me da percepção para qualquer forma de arte. O respeito às diversas formas de expressão também vem disso, então não consigo desvincular nenhuma manifestação artística do mesmo lugar que tenho que visitar para me conectar com minha subjetividade, o etéreo, a imaginação e a criatividade.

O teatro tem sido uma coisa muito louca, exige concentração num nível até então novo pra mim, mas estou curtindo pra caramba fazer esses trabalhos com o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos. Aprendo muito com essa família.

Estou prestes a encarnar um personagem clássico que sai um pouco do espaço confortável que eu ocupei até agora, e por isso, será um desafio. Mas, confio muito na orientação das pessoas que me convidaram pra esse trabalho e estou com expectativa muito positiva.

MDC – Você fez parte do documentário “Nos Tempos da São Bento”. Como foi trabalhar nesse projeto e como foi a repercussão dele sobre sua carreira?

DS – Eu não vivenciei as experiências do metrô São Bento. Era apenas uma criança com dois, quatro anos na primeira fase do pessoal lá, em 85, 86.

E com uns nove, dez anos de idade, o pessoal do bairro em que eu morava comentava sobre o movimento que rolava no metrô, os caras mais velhos que eu, adolescentes e tal, freqüentavam de vez em quando lá. Eu ouvia as historias e ficava fascinado, as informações que eles trocavam na minha frente enchiam minha mente de imagens.

Eu me mudei para o Jardim Santo Eduardo, e achei que não ouviria mais essas histórias, mas assim que fiz as primeiras amizades no bairro novo, pude perceber que os jovens de lá também curtiram a São Bento. Isso só aguçou minha mente na direção do hip hop, porque eu já via que aquilo tinha uma proporção muito grande.

Então participar do documentário foi de certa forma, poder viver as historias que eu não vivi. Conhecer as pessoas, os pioneiros, gente que tava anônima, os mestres da cultura, rever amigos e reforçar amizades já existentes. Na minha carreira, esse trabalho tem um lugar muito especial.

 

MDC – Você é ator na peça de teatro “Bartolomeu, o que foi que nele deu?”. Fale-nos um pouco sobre a peça e de como tem sido pra você fazer parte deste processo.

DS – Essa peça foi escrita há mais de uma década por Claudia Shapira, uma querida e talentosa dramaturga argentina. Ela trata da crítica às relações hierárquicas no campo do trabalho, a opressão do poder através da força, da violência, a falta de escrúpulos na busca por status social e traz uma mensagem muito necessária, que diz que todos nós temos o poder, não só o capitão do mato, não só o cara com o chicote na mão, o policial, o empresário. Todos nós temos poder: o cara da limpeza urbana, o digitador, o desempregado, o estudante, o artista. Mas o poder a ser compartilhado é o poder de decidir pelo bem, pelo melhor, pelo bem comum, pelo bem estar, bem querer, do outro, do próximo e não poder para oprimir e tirar vantagem sempre.

É um espetáculo muito bonito, que alem de ter uma mensagem importante é cheio de música, dança e é carregado da história do Núcleo Bartolomeu,  pois é a primeira peça do grupo e muita gente já fez ela.

 MDC – Após o termino dessa peça você tem planos imediatos ligados a teatro ou pretende focar mais em alguma outra vertente de seu trabalho?

DS – Quero dar bastante atenção a musica nesse momento, pois são muitos amigos chamando pra participações, então acabo colaborando com os trabalhos de muita gente, mas pelo visto as coisas continuarão simplesmente acontecendo na minha vida, surgindo e me dando direção. É engraçado, mas quando eu só queria cantar rap, não me imaginava sendo convidado para trabalhos na dramaturgia, poesia e literatura. Hoje já lancei um livro e estou prestes a mergulhar de cabeça no teatro. Vamos ver o que acontece. Eu gostaria de lançar um livro de contos. E um romance. Um dia, quem sabe….

MDC – Projetos pra 2011: vem alguma novidade no campo musical ou literário?

DS – Tem surpresas por aí. Um grande papel no teatro que vai rolar ai, se Deus quiser. Um projeto muito bonito, uma peça clássica com a cara da rua, do hip-hop. Acredito que geral vai curtir.

Eu e a musica estamos sempre em sintonia. Mas com o advento da tecnologia, e com tanta possibilidade diferente hoje, não sei se quero fazer um disco sabe… Ao menos um disco agora, vamos ver…

O que tiver de ser será. “Estamos trabalhando”; é o que o letreiro diz!

 

Confira a música “Black” de Gaspar em seu projeto solo “Ilícito”, em parceria com Dugueto Shabazz

http://soundcloud.com/dugueto-shabazz

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Posted in: Entrevistas, Imprensa