“E aí mano, compra meu CD?” – por Lucas Tristão*

Posted on Junho 1, 2011

2



Aposto que, se você foi a algum evento de rap nos últimos tempos, foi abordado ao menos uma vez com essa frase. Eu, certamente fui,inúmeras vezes. E aí, voltando para casa do show da Flora esse sábado, eu e uns amigos começamos a discutir o assunto.

 Vender CD’s de mão em mão têm ficado cada vez mais comum. A prática já começa a fazer parte do cotidiano das baladas de Rap que acontecem em São Paulo. O motivo desse acontecimento não é tão difícil de entender: é uma maneira fácil de espalhar seu trampo para outros fãs, e o custo dos materiais para fazer um CD “caseiro”é bem baixo.

Além disso, essa “estratégia de vendas” já deu certo para muita gente. E, inspirados nesses sucessos, mais e mais artistas resolvem fazer a mesma coisa. Dessa forma, hoje em dia os shows estão cheios de gente vendendo CD de mão em mão.

Isso, sem dúvidas, é animador. Ver a galera se movimentandopara produzir e consumir os produtos que são feitos por nós é ótimo. Nada além de respeito para quem põe a cara a tapa para fazer o corre de espalhar sua música.

  Porém, levando em consideração a quantidade de gente fazendo isso, e as mais diversas abordagens adotadas por esses “vendedores” recentemente, acho que é preciso pensar um pouco.

 E a primeira pergunta é: se tem tenta gente vendendo CD de mão em mão nos shows de rap, porque eu compraria o seu e não o de outro cara? Afinal de contas, grande parte das vezes sou abordado por pessoas das quais nunca ouvi falar, apenas com um bolo de capinhas na mão.

Aqui é importante frisar, antes que alguém se exalte, que esse texto é só uma reflexão. Sou totalmente a favor, como já disse, de quem corre atrás de divulgar sua música. A intenção da coluna é só estimular essa galera a pensar em maneiras mais eficientes de fazer isso.

 Você, que vende, faça o exercício de se questionar. “O cara nunca ouviu meu trabalho na vida. Meu CD tem uma capinha igual a maioria, ou seja, praticamente sem diferenciação de arte. Por que ele vai gastar o dinheiro dele para comprar o meu trampo?”

 Uma coisa é você ser um artista que já construiu um mínimo nome na cena, seja através de shows, músicas via internet, ou até mesmo batalhas de MC. Outra coisa é você chegar de repente com seu CD e oferecer ele por aí.

Se for esse o caso, perca um tempo também pensando emmaneiras de fazer gente que não te conhece resolver conhecer. Tente uma abordagem de venda diferente, uma arte diferenciada na capinha, ou pedir pro DJ da noite para colocar para tocar, falar pro MC que ta rimando dar um salve,fazer Freestyle na porta da balada. Sei lá, alguma coisa.

Afinal de contas, é cômodo pensar: “Ah, é trampo independente, temos que fortalecer a cena. Nem que seja por consideração ao esforço os caras vão comprar”. Afinal, quando alguém adquire sua arte por reconhecimento ao seu esforço de estar lá vendendo CD’s de mão em mão, essa compra não tem nada a ver com respeito ou curiosidade com relação a sua música. E aí, quando a música fica em segundo plano, o dinheiro da venda pode ser o mesmo, mas ela perde valor. Assim, um trabalho musical, no qual horas foram gastas, pode sumirem meio a um monte de pedidos de “compra meu CD” na porta de algum show.

*Lucas Tristão é MC, integrante do Crewolina Crew e estudante de Publicidade e Propaganda.

@LucasTristao