Efervescência – por Bárbara Ladeia*

Posted on Maio 11, 2011

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Embora o Outono tivesse acabado de começar, foi em abril que as sapatilhas paulistanas deixaram o breu para trás e encararam a chama dos refletores e o calor dos palcos. No dia 14 de abril foi dada a largada na Temporada 2011 de Dança. O passè inicial foi dado nada mais nada menos que pela Pina Bausch Tanztheater Wuppertal, mais que conhecida companhia alemã de dança-teatro contemporânea.

 A Pina Bausch Tanztheater Wuppertal propõe uma mistura fina entre eternos opostos. É a técnica milimetricamente calculada contra a explosão sentimental com cara de improviso. Em outro momento, é o mais profundo questionamento existencial na forma de dança contra cenas de humor quase pastelão. São outros tantos movimentos absolutamente orgânicos e viscerais, contrapostos com cadências fortemente sensualizadas e calorosas.

 Importante uma menção, ainda que rasa, ao incrível trabalho da criadora dessa companhia, a bailarina e coreógrafa alemã Pina Bausch que abandonou o palco da vida em junho de 2009. De tão forte e sólido, seu trabalho sobreviveu intacto até mesmo à sua morte. Hoje, sua companhia tem direção artística de Dominique Mercy e Robert Sturm. Em tempo: Dominique Mercy levantou o Teatro Alfa que se derreteu inteiro em palmas no meio do espetáculo. Aos 61 anos, o bailarino francês tirou o ar de cada um dos espectadores que lotavam o teatro com um solo longo, vigoroso, cheio de nuances e energia.

 Tudo isso veio em Ten Chi, espetáculo inspirado na cultura e sociedade japonesas que traz em sua proposta a trivialidade de um show de humor, translúcida sobre as bases fortemente coloridas de uma companhia impecável. Fiquei de queixo caído e com os motores mais que aquecidos para a Temporada. A avant-premiere de tirar o chapéu. Ou as sapatilhas.

 O próximo assumir os postos do Teatro Alfa é o Grupo Corpo, dirigido por Paulo Pederneiras. Ambos dispensam apresentações. O grupo fica em cartaz nos dias 5, 6, 7, 10, 11, 12,13 e 14 de agosto com dois espetáculos. Um deles, com trilha de Carlos Nuñez e José Miguel Wisnik ainda não foi batizado. O outro show será “O Corpo”, de 2000, musicado por Arnaldo Antunes.

 Depois ainda tem Deborah Colker, Akram Khan e Sasha Waltz. Fiquem com água na boca. Meus pézinhos já estão coçando.

* Bárbara Ladeia é jornalista e dançarina (DRT – 28511/SP).

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