Léo OHUAZ cede entrevista exclusiva ao Massala Diversidade Cultural

Posted on Maio 5, 2011

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Léo Ohuaz é uma pessoa que, dentre os vários adjetivos que lhe cabem, o de batalhador seja um dos mais apropriados. De forma totalmente independente, Léo corre atrás, muitas vezes sozinho e com várias dificuldades em seu percalço, de levar as mais variadas expressões de sua arte ao máximo possível de pessoas. E, muitas vezes, pensando não só no seu sucesso, mas dos próximos também. Grande parte das pessoas o conhece pela frase “O RAP É TÃO GRANDE QUE QUALQUER PALCO FICA PEQUENO”, mas Léo é muito mais que esta genuína síntese: é músico, artista, pensador, MC, empreendedor. É mais um trabalhador da cultura pela diversidade. Confira na entrevista exclusiva cedida à Ana Fonseca, o que mais Léo tem a dizer:

Massala Diversidade Cultural – De onde surgiu o nome OHUAZ e porque decidiu usá-lo?

 Léo Ohuaz – Então, o nome/vulgo OHUAZ surgiu há cinco anos, porém desde 8 anos de idade me relaciono com diversas experiências sonoras. Em umas destas relações conheci o NIXON, um cara que é multi-instrumentista e depois de certo tempo, começamos a fazer alguns trabalhos musicais juntos. Pouco tempo depois, recebemos vários convites pra tocar e em um desses lugares, conhecemos o Felipe e o Michel que são percussionistas. Decidimos fazer uma fusão e percebemos que precisaríamos de um nome de apresentação. No primeiro momento, tinha proposto o nome “Fragmentados” porque cada um tinha um olhar e experiência especificas com os gostos musicas, mas bem rápido percebemos que precisávamos de um nome que tivesse mais a cara da experiência que todos tinham em comum, que eram as ruas então surgiu o nome OHUAZ.  Pra mim, o nome significa “Relações”, “influências” e “das ruas”. Menos de uma semana que decidimos esse nome o Felipe viajou pra Pernambuco, Michel sumiu, vários lugares pra tocar agendados, então ficamos o Nixon e eu trabalhando juntos, mas como eu era quem corria atrás de quase todas as coisas, acabou pegando o nome em relação a mim, por exemplo, eu andava na rua e as pessoas falavam “Salve OHUAZ”. Já faz um tempo que me apresento como “Léo OHUAZ’’, e quando os trabalhos são assinados por mim, leva o vulgo “OHUAZ”“.

MDC – A sua frase “O RAP É TÃO GRANDE QUE QUALQUER PALCO FICA PEQUENO” teve um alcance muito grande no meio do Hip-Hop, causando uma identificação imediata. A que você deve o fato desse sucesso?

LO – Vários sãos os motivos, poderia ficar descrevendo dias aqui que ainda teria sobre o que falar, mas acredito bastante em dois particulares: o primeiro é que não é só uma frase, é uma ideia sintetizada, ela é simples e direta, ela quebra fronteiras classificatórias que alimentam as distâncias de diversas formas ( das pessoas, musicalmente falando) ou seja, é um olhar que faz praticamente um elogio as diferenças de relações, diferenças de pensamentos mas que ao mesmo tempo é a afirma as proximidades. Considero que é praticamente é um olhar forte sobre respeito e democracia lançado sobre o Rap, mas não só nele, há a perspectiva de que o nosso Rap nacional é tão grande que às vezes nós mesmos não tínhamos percebido o quanto, ou até tínhamos, mas não conceituamos algo que pudesse expressar esse sentimento tão forte, é um algo de pertencimento. Neste conceito, o ritmo e a poesia, não são só substantivos, as palavras que formam essa “frase” carregam o sentimento do sopro de novos ares, de além-mares, o sopro de um pouco de possível, o sopro da vida.

O segundo seria o trabalho, porque pra essa ideia chegar até as pessoas independente da forma: camisetas, bonés, vídeos, e as diversas formas de expressão da imagem em ação tem por trás uma movimentação muito grande, de organização, de criação, é entrega, trabalho, MUITO TRABALHO mesmo.

Foto tirada por Marco Antônio

MDC – Você acha importante que o Hip-Hop possa dialogar com outros segmentos artísticos? Pretende realizar essa fusão em seus projetos?

LO – Com certeza, muito importante e necessário: pensando que, aqui, Brasil, um país multiétnico, onde as diversas formas de relação nos influenciam constantemente, não só o Hip-Hop, mas todas as experiências culturais possíveis. Digo isso porque não penso em Hip-Hop só como musica, mas como uma forma de conduta, de pensamento, de vida, e que a cada dia mais podemos conversar, dialogar com outras formas de experiências, outros olhares, porque no fim todos ganharam em aprendizado. Sobre meu trabalho, durante anos toquei em shoppings, restaurantes, casamentos, festas de 15 anos, festas juninas entre outros lugares em som acústico (Voz e violão), já participei de alguns projetos como percussionista, já organizei um evento que levou o nome “Festival de Sons” então com certeza terá muitas influências sonoras sim, tanto regionais quanto “globais”, o som é uma das poucas coisas vivas que mata a geografia, pelo menos uma parte dela rs.

MDC –A frase ‘O RAP É TÃO GRANDE QUE QUALQUER PALCO FICA PEQUENO” já virou uma marca em roupas, e de sucesso, dado que vemos muitas pessoas usando as camisetas, por exemplo. Pretende transformá-la também numa grife, uma marca de roupas com uma possível loja física, ou parceiros que revendam?

LO – Não sei se colocaria como marca de roupa, porque marca requer um gosto especifico por alguma coisa, por exemplo, “Gosto da marca (X), mas não gosto da marca (Y), reduzindo assim a um mero produto/objeto/coisa, sem falar na industrialização da parada. Acredito que é um pouco cedo pra esse tipo de posicionamento, mas fico contente em ver as pessoas partilhando da ideia e atrás das camisetas, querendo levar a mensagem pra frente pra que mais pessoas possam ver. Já recebi algumas propostas bem interessantes e outras nem tanto, mas tenho o interesse sim de ter parceiros trabalhando juntos na revenda, até porque será um sinal de que a mensagem esta chegando a vários lugares, e que assim outras pessoas possam participar desse crescimento. Porém, tenho a preocupação de não deixar vulgarizar. Não tenho a intenção de montar uma loja física, prefiro que as pessoas que já tenham lojas possam revender que é onde estou em negociação com algumas pessoas que entram em contato.

 MDC – Você tem um diferencial de, além do artista – MC é empreendedor, ou seja, não se restringe a apenas fazer música. Acha que os demais artistas do segmento também devem ampliar e diversificar suas ações?

LO – Tenho a intenção de contribuir pra que o Rap nacional participe mais na economia financeira do Brasil, porque é uma das formas de subverter algumas coisas que nos excluíam e  às vezes nos excluem ainda. Falo isso porque já vi muitas pessoas falando mal dos meios de comunicação (rádios, jornais, programas de televisão, internet entre outros, cada qual com seus motivos), mas o difícil seria estar entre esses espaços que viabilizam as informações em massa e subvertem, tentando transmitir outros olhares sobre as experiências que são constantemente estereotipadas. Por isso acredito que nossa participação tem que ser frequente nesses lugares pra intervimos na constituição dos mesmos.

Durante um bom tempo eu percebia o mercado financeiro nos ditando o que deve ser consumido (deixando bem claro que pra mim consumo é totalmente diferente de consumismo), vejo o consumo como algo necessário pras coisas se movimentarem, independente de você consome musicas, imagens, vídeos, roupas, mas o consumismo seria a ditadura das necessidades, a “tirania dos prazeres”, as futilidades, pois ainda estamos em um pais onde o salário mínimo é R$545,00 e uma minoria desfruta de privilégios ).Cansei de ver na minha frente a distribuição de coisas disponíveis pra consumo que não me agradava e ainda não agrada, então uma das maneiras da mudança é nós mesmo decidirmos de forma independente o que deve ser viabilizado, assim como a própria questão musical é reduzida na indústria cultural que nos é direcionado à censura, o que você pode dizer e o que você não pode, porque assim as gravadoras ou sei lá quem que se acha “proprietário do terceiro mundo” não acreditam, ou não seja interessante, então uma das formas mas não a única é a criação da nossa própria economia, e sei que vou trombar muitos micro especialistas em ignorâncias máximas, mas sim, acredito que os artistas devem diversificar suas ações e ampliar as perspectivas e horizontes, alias não é mais nem uma questão de acreditar é uma evidência.

MDC – O que o Ohuaz preparará para 2011, nas mais diversas áreas?

LO – Para 2011 acredito que antes do meio do ano meu trabalho musical vai estar disponível nas ruas, alguns sons inéditos e outros que já estavam numa Demo que tinha sido gravado há uns anos e disponibilizei de graça nas ruas de São Paulo pra algumas pessoas que conheci, trabalho que estou muito contente e que acredito que silenciosamente fará um barulho grande. Outra parada que já estou trabalhando há algum tempo e agora concretizo isso, é um documentário chamado “O RAP É TÃO GRANDE QUE QUALQUER PALCO FICA PEQUENO” e que cinematograficamente e “televisivamente”, será uma intervenção muito autêntica e é uma das formas de subverter parte dos meios de comunicação, construindo informações diferenciadas pras pessoas passarem para frente, já estou  agendando shows em lugares de vários estados do brasil pra no começo do segundo semestre de 2011, experimentando explorar outros olhares e experiências pro rap, na captação de imagens pra uma parte do documentário complementar às que já realizei, organizarei vários volumes de registro em forma de coletânea com o nome “O RAP É TÃO GRANDE QUE QUALQUER PALCO FICA PEQUENO” com cada volume no mínimo 20 músicas: uma ou duas de cada participantes de lugares diferentes, estados diferentes, para que assim quando cada um de um determinado lugar for divulgar seu trabalho, automaticamente divulgará o trabalho de todos os participantes movimentando de uma forma inteligente a cena independente. A primeira coletânea já está para sair virtualmente, mas quero futuramente materializá-la para que as pessoas que participam possam revender e conseguir levantar um auxílio financeiro. Sei que vou precisar de certo financiamento para fazer isso, mas um pouco de possível não faz mal a ninguém rs.

 

Foto tirada por Marco Antônio

Equipe OHUAZ:

Biel : Distribuição e administração.
Nixon: Produtor da mixtape musicallmente, acompanha nos shows.
NAZA: Agenda de eventos, entrevistas, admistração fincaceira.

Foto tirada por Arão Antunes

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