“O Rap virou Pop?” – por Lucas Tristão*

Posted on Abril 13, 2011

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O rap virou pop. Ou ao menos foi isso que disse a revista Época esses dias nessa matéria aqui. Concordando ou não com o conteúdo produzido pelos jornalistas em questão, assim que  li a o título da coisa já pensei: “Isso vai dar merda.”

Desde então, tenho reparado que tem muita gente insatisfeita com essa reportagem. Mas o que me incomoda e que o que os tem irritado é o uso do termo Pop, e não a forma como os artistas foram retratados na matéria.

O fato é que a palavra Rap e a palavra Pop não podem estar na mesma frase sem que haja algum tipo de antagonismo entre elas. Os fãs mais xiitas tem pesadelos com isso. E o Pop já é tão mal visto no rap, que virou até xingamento em batalhas de MC.

Mas porque esse medo todo de virar Pop? O Rap não é uma música de mensagem, transformação e de mudança? Então por que não fazer essa mensagem chegar a cada vez mais pessoas? Afinal de contas, os fãs  “convencionais“ nós já temos, portanto eles já concordam e já assimilaram a mensagem.

Infelizmente, música Pop, pro fã “comum” de rap, já é automaticamente associada à rimas idiotizadas, micaretas, diamantes e biatchs americanas quando na verdade, não precisa ser assim. O Brasil mesmo tem artistas consagrados de outros gêneros, e que continuam produzindo música de qualidade. Os EUA, os pais do nosso querido Rap, já provaram que é possível ganhar a mídia sem fazer música ruim (Common, Jay-z, Eminem, Kanye West e tantos outros).

A verdade é que ser Pop não é pecado. Claro, as raízes do movimento precisam ser respeitadas. Ninguém aqui discorda disso. Mas esse respeito não pode se transformar em exagero e acabar sendo contra-produtivo para a criação. Afinal de contas, Rap é uma forma de Arte. E Arte costuma quebrar parâmetros, desafiar fórmulas e arquétipos.

O problema da matéria não reside na classificação do Rap como Pop. O problema da matéria está na quebra de um estereótipo para a formação de um outro. Na construção de uma oposição que deprecia tanto o “rap antigo e mal encarado” quanto o “rap novo pop e colorido” que eles construíram na revista.

No fim das contas, a mídia continua mostrando despreparo e preconceito para falar da música que a gente ama. E a gente, ao começar a criticar os artistas retratados e não o veículo que fez a parada, continua mostrando desunião e total despreparo para lidar com a mídia.

Desse jeito, nunca poderemos mesmo ser Pop. Para os Mcs inseguros, os artistas frustrados, fãs ciumentos e jornalistas preconceituosos a sensação deve ser de missão cumprida.

 

*Lucas Tristão é MC, integrante do Crewolina Crew e estudante de Publicidade e Propaganda.

@LucasTristao

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