Timm Arif (Primeira Função) lança videoclipe “O Mito da Caverna”

Posted on Abril 11, 2011

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No sábado, dia 09/04, aconteceu no Espaço Cultural no Fim do Mundo, a Massala Hip-Hop Party, primeira edição da grade de eventos da produtora Massala Diversidade Cultural. A atração principal da festa, no entanto, não era a produtora, e sim a estreia do videoclipe do Mc Timm Arif, integrante do grupo Primeira Função.

“O Mito da Caverna” é um trabalho da produtora em parceria com o grupo e o diretor Iuri Stocco (ISSV), também diretor de “Paulistano” do MC Mamuti NusCorre e “Cartas”, de Vitor Vieira. Filmado em dois dias nas ruas do Jardim Brasil, ‘quebrada’ oficial do Primeira Função, o clipe teve a participação de vários moradores locais e de outro profissionais do segmento, como o DJ Will, residente da festa Sintonia e DJ de Rael da Rima.

O clipe e a música de “O Mito da Caverna” fazem uma analogia com a obra do filósofo Platão, que retrata seres humanos dentro de uma caverna, não necessariamente a física, mas a caverna da limitação, que impede de nos libertar da condição de escuridão,  não nos deixando enxergar a luz da verdade. No clipe, simbologicamente foi usada uma venda, materializada como a caverna, que pode nos aprisionar na ignorância, seja ela circunstancial ou opcional, desde pequenos ou então, com o conhecimento e cultura, nos livrar desta venda (caverna) e enxergarmos a realidade das coisas, pessoas e situações.

Confira as entrevistas com o diretor Iuri Stocco e o editor do clipe, Base MC,  o ensaio fotográfico dos dias de gravação, realizado pela fotógrafa da equipe Massala, Jess Penido, e o tão elogiado videoclipe “O Mito da Caverna”

Entrevistas concedidas a Fabiola Ribeiro e Ana Fonseca

Iuri Stocco

Massala Diversidade Cultural – Como surgiu a ideia para o roteiro do clipe?
Iuri Stocco – A ideia inicial surgiu num telefonema com o Base MC, quando ele me explicou sobre o “mito da caverna”, que eu até então desconhecia. Base me cercou dessa referência, e eu fiquei pensando em como materializar a mitologia em um objeto, e o que mais me simbolizava isso era a venda.  Daí pra frente eu montei um pequeno storyboard em casa, e  no meio dos desenhos me veio à ideia de usar uma criança que simbolizasse o Timm, como se ele fosse a antítese do mito: ele estava vivendo com as sombras, no plano perfeito das ideias, mas prefere desnuviar os olhos e viver a realidade, seja ela qual fosse.

MDC – Esse é seu terceiro vídeo clipe. Já consegue definir seu estilo de direção e produção, ou isso varia de roteiro para roteiro?
IS – Apesar de ser o terceiro clipe, o estilo de direcionar os atores ou músicos varia de roteiro para roteiro. Cada clipe carrega suas características particulares, ele é a tradução da música em imagem, então tenho que estar aberto para o que a música vai mostrar: quando ouço, vou montando cenas na cabeça e pensando em referências no cinema, taí! Talvez isso defina uma espécie de estilo, sempre para montar o clipe uso referências do cinema, não de outros videoclipes que eu tenha visto.

MDC – Como é o processo de escolha das imagens para o trabalho?
IS – Como eu não sei editar vídeos, sempre tem um editor comigo, o processo é meio maluco, pois eu filmo as cenas e vou numerando elas com as mãos no final de cada take, ai falo para o editor: “pega a cena 5 até tal ponto, e corta para cena 10 seguido do insert 4 e vai pro fade out!!!” Faço como um diretor de teatro ou o controlador do Swicher na Televisão.

MDC – No que o clipe de “O mito da caverna” se difere dos outros clipes de rap?
IS – Acredito que a diferença está na ideia que trazemos por trás do clipe, e ela vai além de filmar o grupo cantando e registrar ‘inserts’ de denúncia; o clipe caminha para o lirismo, afinal a maior denúncia já nos cobre os olhos!! Já esta na hora de sair da caverna, de arrancar a venda…

 

Base MC

Massala Diversidade Cultural – Como surgiu a ideia para o roteiro do clipe?
Base MC – O Roteiro surgiu das trocas de ideia nos ensaios  juntamente com  Timm Arif. Nessas conversas veio à minha mente a ideia da faixa, e ai com as ideias dele, do Fahim, do Akilah e do Iuri fizemos a parada! Colocamos em prática as nossas viagens, influências e nossa visão de como seria um clipe pra essa música!

MDC – Por que a temática do “mito da caverna”? Por que a escolha dessa mitologia, e não outra, por exemplo?
BMC – A escolha da temática foi do próprio Timm. Não só ele, como nós todos acreditamos que o “mito da caverna” é a mitologia mais facilmente adaptada à realidade em que vivemos, onde as pessoas, muitas vezes por opção, ficam na “caverna” por pura ignorância, sem querer tirar essa venda dos olhos, sair da situação, enxergar e enfrentar a realidade, seja no trabalho, na música, nas relações humanas.

MDC – Quais foram os recursos técnicos utilizados na edição do clipe?
BMC – Para a edição não teve muito segredo: chegamos à produtora, descarregamos as imagens, assisti todo o material bruto de mais 3 horas de filmagem e aproveitamos as melhores cenas, um processo normal de edição, numa ilha profissional da produtora Zumbi Filmes, onde tivemos condições de usar efeitos mais profissionais.

MDC – Em sua opinião, o que difere o Primeira Função dos outros grupos de Rap?

BMC – Acredito que a diversidade é um ponto forte no grupo. Diversidade etária, de experiências. Somos um grupo, mas temos vivências muito diferentes, e isso graças a Deus, contribui de forma positiva: o Akila Jelani é o mais velho, e traz toda uma bagagem musical diferente, uma formação mais old school e de muita história musical; o Fahim é o integrante mais novo, então ele traz na sua formação influências mais recentes, como Sabotage, por exemplo. O Timm é, digamos mais ‘intelectual’, é poeta, ama livros então as suas composições têm realmente um traço forte de trabalho com mitologias e analogias mais ricas. E eu sou um apanhado disso tudo, consigo beber de todas essas fontes diferentes, e assim se forma o Primeira Função!

ASSISTA O CLIPE:

Ensaio Fotográfico por Jess Penido:

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