MC Raphão Alaafin lança nova música “Brigas” e concede entrevista exclusiva para o Massala

Posted on Março 21, 2011

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“A correria em forma de gente”. Assim se denomina o MC Raphão Alaafin,  que está na estrada há aproximadamente 12 anos e hoje lança mais um trabalho: a música “Brigas”, que faz parte de uma série de canções especiais denominadas “Nosso Ritmo é Rap”. A música é a quarta deste bloco, que tem como eixo principal os sentimentos que fazem parte de uma relação amorosa. Nesta entrevista exclusiva para a produtora Massala Diversidade Cultura, o MC fala da faixa em questão, de seus posicionamentos e dos vários projetos que está inserido, afinal, Raphão é o significado prático da frase que inicia este post. Confiram a entrevista e logo abaixo, o link para baixar o som!!

Entrevista concedida a Ana Fonseca

Massala Diversidade Cultural – Em “Brigas”, o enfoque é sobre as discussões de relacionamento. Por que trabalhar o motivo na faixa? No decorrer da música, que pontos sobre o tema são abordados?

Raphão Alaafin – Na verdade, a idéia de “Brigas” veio da seqüência que a aborda o tema “Nosso Ritmo é Rap”, que foi meu presente de casamento para minha companheira, há três anos, e vem se repetindo por todos os anos. Aí fiz a NRR2 (Metendo Mala – Nosso Ritmo é Rap 2), a NRR3 (Encontro – Nosso Ritmo é Rap 3), e vi que estava tudo romântico demais, e nem nos contos de fadas toda relação é só amor. Tem discussão, tem treta, mas como eu digo no som: “se a briga é pra continuar o futuro, tá, fala…”. Enquanto estava produzindo a letra da faixa, percebi que a “graça” das brigas é essa: quando tem muito amor no meio, é para resolver, a briga é para continuar junto e não pra separar.

A música expressa  ondas de sentimentos, uma hora pra irritar, outra pra consolar, outra parte de ironia, como todas as brigas são. A música definitivamente é uma briga de casal, mas um casal que quer ficar junto, esse é o grande lance!

MDC – A faixa “Brigas” é a quarta música do bloco “Nosso Ritmo é Rap”, todas falando sobre relacionamentos e paixões em geral. Qual é, pra você, a importância deste tema nas músicas? Pretende gravar mais faixas deste bloco?

RA – Esse “bloco” começou a partir de uma brincadeira que fazia com minha companheira, quando namorávamos. Fazia música para ela toda hora, mas bem intimamente, nada que  deveria ou poderia ser divulgado. Então no dia do nosso casamento fiz “Nosso Ritmo é Rap” (NRR1), que seria uma música em homenagem a ela sim, mas também uma música de trabalho, e na verdade a “saga NRR” mistura amor e música, e essa é a grande sacada, pois são as duas coisas principais que estão presentes desde o início em nossa relação, já que ambos somos amantes e estudiosos dela.

Acho importantíssimo o Rap abordar este tema, até porque um dos motivos seria  romper com o paradigma temático que acabamos reproduzindo; e a outra razão é que as relações fazem parte da vida de todo mundo, e o que é a música senão a expressão disso? Em relação a gravar mais faixas deste ‘bloco’, pretendo chegar até a NRR999 (risos)

MDC – Como você enxerga o trabalho do “MC Raphão” neste momento? Mais evoluído, com novas perspectivas?

RA- Mais evoluído sem dúvida. Até porque, depois de 10, 12 anos batendo cabeça, tem uma hora que você fala: “Opa! É isso que tenho que fazer”. Mas não quer dizer que todos estes anos, eu estava panguando, na verdade tudo aconteceu pra ser da forma que é hoje. Eu dizia: “Queria ter a cabeça que tenho hoje com 16 anos”. Se fosse tão simples, seria maravilhoso, mas não é: eu só estou com esta cabeça hoje, porque comecei lá atrás. Tomei “Pelé” de estúdio, criei e desmontei grupo, cantei em vários lugares sem transporte, sem grana, sem comida, sem estrutura, porém também já cantei em eventos com uma estrutura invejável, e tudo isso fez parte da experiência.

Neste momento estou sendo o que sempre fui: trabalho, correria, é isso tudo, mas de uma forma mais objetiva e organizada, avaliando sempre o momento do Rap, que muda a todo instante, inclusive quando vocês estiverem lendo esta entrevista, meus pensamentos já podem ter mudado (risos).

MDC – Uma característica marcante do seu estilo é a diversidade: musical, de letras, e de temas. Você encara como um diferencial no Rap? O que você pode dizer para novos grupos ou artistas, como estratégias para sair da ‘mesmice’, ou do senso comum?

RA – Que bom que as pessoas pensam assim. Gosto disso, trabalho para isso e não gosto de ser rotulado, tenho meu estilo e isso é ótimo pra mim. Canto em cima de beat de samba, de sampler, de miami beat, de jazz, de soul, porque minha vivência foi assim. Escutava samba com minha mãe, jovem guarda, brega, as modinhas, então isso foi se agregando à minha musicalidade. Como digo em “Rap Sim Rap Não”: ”eu rimo no reggae/no crunk/isso sim pra mim faz sentido/eu sou ragamurfi/sou funk/sou filho de um scrath/no meu peito tem um djembê/se é rap sim/ou rap não/agora eu te faço entender

Eu gosto de mostrar minha visão sobre variados assuntos, como eu vejo o futebol, como eu vejo o trabalho de um feirante, e coloco isso na minha música. Olho pra uma lata de lixo na rua e penso: “Dá uma música isso!”. Penso como um pintor, você pode usar varias óticas, tipos de pincel, tinta, sobre uma imagem só ou tema, você pode fazer vários quadros ou músicas, e assim vai.

Em relação aos novos artistas, tenho muito cuidado quando falo ‘mesmice’, porque a minha mesmice pode ser algo pra eles, arte não tem como julgar ou adotar padrões, não acredito em arte encomendada, criada artificialmente. Cada artista põe sua alma no trampo, até mesmo um quadro ou uma tatuagem pode ser encomendado, mas sempre terá a alma do artista.

MDC – Fale um pouco sobre o “Raphones”, que é seu projeto para beats. Pretende trabalhá-lo mais a fundo?

RA –Raphones” é uma criança ainda, não quero forçar nada. Estou estudando teclado, comprei uma MPD, já produzo beats há quatro anos, e gosto de vários que fiz. No próprio “Amostra” tem alguns beats deste projeto. Estou indo com muita calma, tenho que pensar no trabalho do MC Raphão no momento.  Tenho vários beats do “Raphones” que quero usar, pois são muito bem produzidos, mas pra expandir este trampo preciso de tempo. Quero fazer mais pra frente uma mix tape do “Raphones”, mas com o selo “Ponarru” decidi que o momento é do Raphão, e ele tá nessa pegada de ir pras cabeças. Os beats deste projeto, vocês podem conferir em: http://www.myspace.com/raphones

MDC – Como surgiu a idéia do selo “Ponarru”? Ele tem algum diferencial em relação aos outros? Se sim, qual e por quê?

RA – Quando fiz o “Amostra”, já tinha mais ou menos 6 anos de músicas gravadas e nenhuma publicada, então veio a idéia de ter nosso próprio meio de distribuir e fazer todo mundo ouvir, por na rua (daí o nome, Ponarru). Se não chegar até as pessoas, não tem valor. E esse ano amadureci ainda mais a idéia. Quero gravar muita música, divulgar em todas as mídias possíveis e comercializar nossos produtos. O diferencial, como em todos os selos independentes, é ter certa autonomia com o que se produz, desde criação até a forma de divulgação.

MDC – O que o público do Raphão pode esperar para 2011?

RA – Três coisas: trabalho, trabalho e trabalho. Isso pra mim significa música, muita música. Quero fazer uma música melhor que a outra, acredito que assim o Rap vai se abrir mais ainda pra mim, mais portas. Nesse primeiro momento quero ser mais ouvido, mais comentado, e pra isso tem que ter trabalho. Às vezes é ruim você soltar uma música na net e ter poucos acessos, poucos comentários, me vejo como um artista que pode estar no circuito, no jogo, e um artista que merece uma atenção, então a meta pra 2011 é expandir meu público, e chegar cada vez a mais ouvidos, e é pra isso que eu trampo.

“E ai, vamo trabalhar?”

www.ponarru.com.br

www.raphao.com.br

Arte desenvolvida por Edson Ikê

Download da faixa “Brigas”, de Raphão Alaafin

Ou baixe pelo link

http://ponarru.com.br/blog/?p=8