Colunista da semana: Jéssica Balbino

Posted on Março 16, 2011

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Por que hip-hop?

Por Jéssica Balbino*

Tem sabor novo e frio na barriga. Como toda estreia. E é um prazer escrever estas primeiras linhas para o Massala. Fiquei pensando, diante da “folha em branco” sobre o que eu poderia falar. Não sei se o processo é o mesmo com todas as pessoas que escrevem, mas só consigo definir o tema depois de certa altura do texto.

Desta vez não será diferente, porém, quero falar aqui sobre hip-hop. E escrever assim, desta forma, me faz lembrar que há quatro anos, durante uma banca examinadora de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), vi um professor (mestre e doutor) questionar os alunos: “mas por que hip-hop?” e se alongou dizendo “é um tema tão batido”. Ensaiei a noite toda uma resposta para ele, na noite seguinte. Ele não fazia parte da minha banca, mas a questão ficou entalada e se fosse hoje, talvez eu me levantasse e responderia, durante a apresentação do outro grupo. Disse para toda platéia, e para ele, que falar de cultura nunca é demais. E hoje, quatro anos depois, ainda tenho essa resposta completa entalada na garganta. Talvez tenha chegado o momento de responder. Talvez ele jamais leia – a menos que eu envie esse texto para ele – mas, estou OCUPADA DEMAIS, vivendo o hip-hop, para de repente, fazer isso, no entanto, respondo caro professor, que falar de hip-hop porque é necessário, assim como falar de cultura e porque, se naquela época ele havia mudado a minha vida, imagine hoje.
Era o primeiro livro escrito, eu ainda não tinha um blog voltado exclusivamente para a cultura da periferia e tampouco recebia convites, como esse, para falar sobre o que eu quisesse. E sim, meu sonho era escrever. Crônicas, textos, contos, opiniões, livros.

Realizei todos eles e quer saber como? Através do hip-hop.

Na terça-feira pela manhã, comentei pelo twitter com o Alessandro Buzo e o Dudu de Morro Agudo, duas pessoas que conheci através do hip-hop e que acrescentaram muito em minha vida, que a cultura tem disso, né?! Traz-nos pessoas interessantes, que por mais que o mundo gire, vão continuar ali, produzindo seu trabalho e nos inspirando.

E por falar nisso, lembrei-me dos sonhos. Deveria, há quatro anos, ter mostrado isso ao tal professor. Ter dito a ele que o hip-hop permite sonhar e, mais do que isso, nos dá ferramentas para realizar. Acho que estou no caminho. Um dia, sonhei em poder, com as minhas pesquisas e palavras, mudar algo na vida das pessoas. Na última semana, recebi a notícia de que um trecho do meu livro havia sido inserido num livro didático do Estado do Rio Grande do Sul. Quer recompensa maior que essa? Ter o trabalho usado como ferramenta de educação ou ver alguém dizer: seu trabalho me fez aprender algo. Não tem preço e aí, querido professor, falar de hip-hop por isso. Por que transforma a vida das pessoas, para melhor.

*Jéssica Balbino é jornalista, escritora, blogueira e otimista. Acredita num mundo melhor a partir do hip-hop e da cultura ,e trabalha por isso

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